
A sensação era a pior que já sentiu, mesmo depois de tantas perdas e decepções. Os constantes arrepios deram lugar ao formigamento do corpo, como se houvesse uma capa em torno dele. A dor não era física, mas existia de alguma forma: como se uma espiral de lâminas a triturasse por dentro, deixando tudo oco e sem sentido. Sua pele poderia estourar a qualquer momento. O nó na garganta contribuiu para que sua respiração fosse dificultada. O primeiro desejo físico foi a sede, que precisava ser combatida em meio a toda aquela avalanche de sentimentos. Os olhos quase escureceriam, no momento em que o ar voltaria ao poucos, preenchendo o seu interior novamente. Sentiu o pesar nos ombros, já problemáticos há alguns dias. A tensão parecia não ter fim e o motivo para o momento desesperador não era conhecido. Nem por ela. De repente, suas vontades mudariam de foco, o não querer se preocupar com coisas fúteis, assim como apagar certos momentos, como se tudo fosse possível. Tão possível quanto acelerar o tempo. Tão estranho quanto o fato de ter que passar por tudo aquilo. Tão torturante quanto saber que só existiria cura quando essa fase terminasse.




escrever é sempre bom para “exorcise the demons from your past” =)
mesmo que seja assim, tão recente
“speak to me in a language i can hear”