Ela tinha apenas cinco anos, mas já era teimosa em suas decisões. Sua casa era repleta de escadas, além de ser bem grande, começava na rua de baixo, terminava na rua acima. Era uma tarde ensolarada de segunda-feira, ela brincava com peças de montar no quintal de pisos e azuleijos, enquanto sua mãe cuidava da irmã mais nova, ainda bebê. A mais velha estava muito concentrada em desenvolver formas, porém, aos poucos, o entusiasmo foi dando lugar ao tédio: sua feição já era de cansaço e desinteresse. No momento em que a mãe amamentava a integrante mais nova da família, a vizinha da rua acima chamou pela sua pequena parceira de brincadeiras. Espera que eu já abro para você! O apelo da mãe de nada serviria frente à empolgação da menina ao descobrir que teria uma companheira para sua tarde lúdica. Não aguardou o término da tarefa materna e logo subiu a longa escada até o portão, que ficava paralelo à laje da lavanderia da casa. O portão era de madeira, com isso, havia uma fechadura antiga que naquela ocasião estava quebrada e emperrando. O entusiasmo da garota foi transformado em uma força descomunal, capaz de puxar o trinco e retirá-lo do lugar. O objeto voou longe. A criança foi arremessada para o vão largo entre a o cômodo e a escada. O grito, a queda, a escuridão repentina. A mãe correu esbaforida para socorrer a filha já desacordada no chão, ao lado das cordas dos varais quebradas. Um inchaço acima da testa começou a evoluir. O desespero tomou conta e a menina foi levada às pressas para o hospital. Vários exames e algumas horas de observação depois, o alívio: não havia nenhum trauma craniano. Surpreendida e mais calma com o diagnóstico, a mãe ouviu do médico a conclusão: Não foi nada grave, apenas um hematoma superficial, além de dois riscos como se fossem queimaduras no abdômen. A mulher interrompeu: Foram os varais da lavanderia, ela caiu sobre eles. E o pediatra concluiu: Estas marcas que ficaram nela é o que chamamos de sinais dos anjos. Neste momento a criança despertou.
Some People Got Way Too Much Confidence
16 Maio 2009 por Liliane




Hum, já tinha ouvido esse conto, mas mesmo assim foi uma bela leitura, com certeza. =)
Salva pelo varal! Já pensou…
Gostei do texto. Mas ou você usa parágrafos, ou assume logo o estilo Saramago de nem usar mais ponto. Vai por mim, tira os pontos, que tá tão bem escrito que dá pra entender tudo certinho!
Também pensei na retirada dos pontos para as falas. Mas estava num fluxo de consciência tão “Clarice Lispector”, que a minha vontade era começar do nada e fechar sem sentido…rs.
Nao tinha entendi uma parte. Ou existe erros ou eu que nao consegui ler mesmo rsss
Mas gostei do conto, do final principalmente.
Bom dividir aquelas vodkas com vc… vamos tentar cair no chão numa próxima… amo. kiss