We Need To Feel Breathless With Love

 

Poderia ficar páginas escrevendo sobre a noite de ontem. Assim como poderia ser coerente e só falar sobre Hamlet. Ou então ser boba e dizer como foi estar com Wagner Moura exatamente na minha frente por mais de três horas. Ser, ser… ou não.

 

Era minha primeira peça assistida no Teatro FAAP, então, como em toda primeira vez, tinha que ser com o cara: Hamlet, ou, Wagner Moura, o príncipe mais anti-herói da história.

 

O ator, como ele mesmo, é pequeno, magro, educado, fala doce e baixinho, como se quisesse te encantar logo de primeira, mas sem lhe tirar nenhum pedaço.

O ator, como protagonista shakesperiano, é grande, corpo bem desenhado, maluco, intenso, grita, muda a voz, perde até o sotaque carioquês-baiano.

 

Ambos nunca se encontram, nem fora de cena, sentado ao lado do palco, tomando água no cantil. Em seu sagrado palco, suas cenas são marcantes, domina, enlouquece, beija, luta, chora, morre. Fora dele, admira os demais em suas cenas, mas não perde o foco, não ri, parece repassar as centenas de diálogos o tempo todo.

 

E sinto-me como se ainda estivesse lá. A distância entre a minha pessoa e aquele homem é muito pequena, consigo ver cada gota de seu suor, ele olha para todos, não fita ninguém, todos só olham para ele.

 

Quando está na penumbra, ao lado do palco, olha para a platéia com medo, ele precisa impressionar, está ali pra isso. Até parece perguntar: quem está aí, quem é você, preciso melhorar? Não, Wagner, você é e está perfeito.

Por isso que continuo batendo palmas para você, até a cortina fechar.

Publicado em: on 7 Julho 2008 at 10:54 pm Comentários (2)

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2 Comentários Leave a comment.

  1. Que legal. Gosto de Shakespeare no teatro. Mercador de Veneza, especialmente.
    Aposto que a peça fica aí em cartaz por meses. Aqui, vem pra temporada única, um fim de semana…

  2. Li… amei o texto! É isso mesmo, Wagner está grandioso como Hamlet. Foi bom demais vê-lo. Quero ir de novo!


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