Longe de ser um sintoma depressivo, a saudade tem me perseguido ultimamente. E não é só de pessoas queridas, mas de situações fortes também.
Sempre a encarei como um sentimento particular, pois sempre esteve comigo, de forma boa muitas vezes. A dor de sentir isso já não existe há algum tempo. Isso não significa que sentir falta não me faça chorar, mas isso apenas acontece quando eu sei que a situação foi muito boa e não voltará a acontecer ou quando uma pessoa muito especial deixa de existir.
Com pouco mais de dois meses de distância entre eu e a existência da minha segunda mãe, tenho certo medo. Mas hoje me conformo muito mais com a morte e sei que a saudade existe mais forte porque a lembrança dela permanece em muitos lugares da minha casa, o cheiro em seu quarto, coisas que vão me confortando, mas que não me deixam esquecer jamais. Há dez anos perdi uma outra pessoa bem especial em minha vida. Mas sobre ele, falaremos quando esses dez anos realmente estiverem completados.
Daqueles que ainda estão aqui, tenho uma saudade mais intensa e menos dolorosa. Porque o mais gostoso da distância é saber que acontecerá o reencontro. Adoro quando eles acontecem.
Mas, com tudo isso, lembro também dos meus anos de ginásio, de pureza de atos e pensamentos, do tempo em que elogios me deixavam mais vermelha, de como era bom os retiros e as descobertas, as quermesses de bairro, as aulas de dança, os campeonatos de natação.
O primeiro paquera, o primeiro emprego, o primeiro namorado, o primeiro grande amor, a entrada na faculdade, a descoberta de mim mesma. Todo começo também é saudoso, mas é deste que não quero me afastar, porque a cada minuto, é um novo momento e é dele que eu quero ter sempre saudade.




