Naquela nova morada, tudo era diferente.
A menina viveu todos os seus vinte anos na cidade pequena, no meio do estado de Minas Gerais. Vir para a região metropolitana do grande estado era um desafio. Mas precisava estudar, seria difícil se formar na área de seus sonhos em sua cidade natal, por isso havia resolvido tentar aquela universidade pública e ali estava, como sempre quis.
Era muito conhecida e querida antes, mas naquele momento não poderia esconder a timidez e achava engraçado o comportamento de seus colegas. Cabulavam aulas para beber em plena luz do dia. Eram diferentes, estranhos, tinham seus corpos pintados; orelhas, narizes, bocas furadas, pareciam índios. Começou a se sentiu muito mais moderna do que aqueles que se rotulavam assim. O sotaque deles também era peculiar. A forma lenta de pronunciar cada palavra, sílaba por sílaba, muitas vezes enfatizando os “es” ou os “is”. “Está inteiiiindeeendo?”, perguntavam os paulistas. “To sim”, ela respondia.
A metrópole era um sonho, mas para ela, era algo mais intenso que isso. Apesar das grandezas dos pedaços da cidade, sentia-se muito maior com o seu jeito mineiro do interior. A terra de “zé-ninguém” começaria a ter mais valor à medida que ela descobria que o sonho era aquele existente apenas em fotografias. Nelas não havia correria, trânsito, barulho intenso, os edifícios antigos eram limpos, o céu era azul e não cinza, as pessoas bem vestidas das fotos da propaganda não pediam dinheiro no ônibus, na rua, no restaurante.
De repente, São Paulo estava perdendo o brilho para aquela garota, então resolveu permanecer ali mais quatro anos, cursar o que deveria e voltar à cidade pequena, talvez lá abrisse sua própria farmácia, sempre teria alguém para ajudar, afinal, seus amigos da cidadezinha nunca a esqueceriam.





E o final da história!?