Era a oportunidade da sua vida: emprego estável, morar perto do trabalho, e, mais do que isso: independência.
O difícil seria conciliar todos os horários e driblar o medo do desconhecido. Mas a hora era aquela, ou arriscaria ou estagnaria de vez naquela velha loja de móveis.
O novo trabalho era um desafio, não apenas por ser uma grande distribuidora de livros, mas também pela notoriedade internacional que havia alcançado no mercado. Agora teria que falar o inglês corretamente, por isso marcara algumas aulas com uma amiga distante, que acabara de voltar do Velho Mundo.
Seus primeiros dias de trabalho foram muito apreensivos, porém os colegas de departamento fizeram o possível para auxiliá-la. Era importante prestar atenção em cada detalhe, em cada orçamento, revisá-los linha a linha. Não poderia deixar sua ansiedade transparecer.
Tudo corria bem, até que um dia, ao cair da noite, começou a questionar sua sorte e também o seu azar de estar passando por esse momento mágico.
O fato era que a pessoa que ela tanto queria não estava ali naquele quarto. Sabia que aquilo não era importante para a sua vida, e que agora, seria mais difícil levar aquele relacionamento adiante, mas era um pensamento incessante, quase obsessivo.
Ela iria esquecê-lo de vez, ao menos até a próxima primavera.

