Poderia comentar a respeito da noite de gata borralheira que tive ontem, mas como estamos em uma fase de revolta, turbulência e não queremos falar de coisas boas, então, voltemos para a quarta-feira à noite.
O fato é que estava eu assistindo ao jogo do meu time do coração (os torcedores daqui desconhecem um pouco esse campeonato, mas é a Libertadores da América), empolgada, torcendo pelo gol, quando, de repente, a transmissão é interrompida para o boletim do reality show da tragédia brasileira: os pais assassinos estavam sendo presos.
Além de ficar possessa, visto que a TV deixou de mostrar o gol que acontecera naquele momento, fiquei absolutamente revoltada ao ver o número de pessoas que acompanhavam a captura do casal. Segundos os jornalistas, por volta de 800 cidadãos.
Imediatamente mudei para um canal de esportes da TV fechada, porque era demais para a minha cabeça ver tal situação. Primeiro, porque, apesar de ser uma coisa terrível, acho de muito mau gosto ficar acompanhando a história dessa forma. E outra: o que aquelas pessoas faziam ali plantadas, vindas de não sei onde, num frio de 10 graus?
Provavelmente não era para algum tipo de protesto contra aumento da gasolina, escândalo no governo, péssimo ensino público ou desvios de dinheiro de reitores de faculdades.
Estou certa de que, se fossem convocados para isso, não levantariam de seus gastos sofás. Mesmo assim, a condenada permanece sendo eu por ter vergonha de ter nascido em um país-bela-viola-pão-bolorento.
E é por isso que não só Londres, mas Brighton, Barcelona, Vancouver, Berlim, Dublin e Sidney continuam me chamando.


Hahaha
Acho que vc é a 5˚ pessoa que eu vejo reclamar desse episódio.
Realmente, esse reality show do assassinato de MAIS uma criança já chegou a banalização e já está nos irritando demais! Onde está o país do futebol, o estado do PCC, a fome da população, as outras crianças assassinadas? Parece que não existe MAIS nada para noticiar. Fora as coisas maravilhosas que acontecem e ganham pequenos minutos no noticiário da madrugada!
Saudade de outros tempos… beijo