Fora a quantidade de coisas para pagar, ente querida no hospital e companheiras de quarto desafiando aqueles meus dias, o sol hoje nasceu forte para mostrar que vingança e frieza européia não fazem e nunca farão parte da minha pessoa.
Porém, contrariando tudo o que poderia ser e acontecer, o sol foi embora, a chuva tomou o seu lugar, a noite nasceu absurdamente linda e eu fiquei com uma imensa vontade de ver um filme.
O problema deste desejo repentino é que eu tenho medo de ir ao cinema sozinha.
Não por receio de que exista algum tarado lá, esperando para que eu entre na sala, queira me levar para fora e fazer alguma coisa comigo, mas não aceito bem a idéia.
Conheço muitos que fazem isso numa boa, inclusive até me afrontam com tal desprendimento, mas eu ainda não descobri como enfrentar isso.
Os amigos que poderiam me acompanhar moram muito longe. Aqueles que moram perto, não assistiram filmes do meu gosto ou então chegariam à conclusão que eu sou mesmo muito diferente das outras mulheres (leia: estranha!).
Contudo, sou uma das poucas pessoas que possui companheiras oficiais de cinema de bom gosto, mas elas estão tão entretidas com o Caê e o Chico, que nem devem lembrar da existência de Denys Arcand ou Tim Burton.
Pensando bem, já que hoje tenho que resolver o assunto da semana e amanhã estarei livre, além de ser sexta-feira, talvez minha vontade possa esperar mais um dia apenas e se concretizar.
Além de matar esse medo inoportuno, aproveito para fechar a trilogia da putaria canadense.
Espero não ser abordada por ninguém, ao menos não após o início do filme.





Eu ia sozinho pro cinema quando eu era adolescente. Sei lá, um tempo meio Charlie Brown (não Jr, veja bem).
Agora isso de tarado no cinema é meio, sei lá, excitante. Já pensou uma mina me pegar de surpresa no cinema. Massa.
Agora esse desenhinho, misteriosa autoria. Bem legal. Ainda descubro. Bom, bom filme.
Ah… o cinema… todo caso é marcado por um cineminha de pano de fundo…