Apesar do eclipse lunar estar quase terminando e com nuvens querendo escondê-lo, há exatos dois anos eu não poderia estar em lugar melhor e com noite mais linda.
Nada como sair do trabalho ao meio dia, sem dizer ao chefe aonde exatamente iria, mas com a certeza de que estava fazendo a coisa certa. Fomos eu e o meu amigo do mesmo trabalho e mais uma pessoa.
A sensação era de ir para um matadouro: coração a mil, expectativa no auge e a torcida para que tudo pudesse dar certo. Sim, era como um encontro com alguém querido, mas nunca antes visto. E era verdade: nunca os tinha visto de perto.
Claro que chegamos lá com a mamata de entrar no meio da fila, graças ao casal mais querido do mundo. Logo os portões foram abertos.
Trocentas etapas para a checagem dos ingressos, revista e mais algumas coisas: correria. Cheguei e dei de cara com o palco. Era impossível estar na hot area. Não, era a realidade. E parecíamos todos crianças de 20, 24, 27, 30 anos de idade. Conhecemos muitas pessoas lá, de vários lugares do Brasil, caipiras, mineiros, pernambucanos, atrizes, futuros papais, e também aqueles que estavam lá, mas que conheci algum tempo depois.
Depois de muitas horas, muitas conversas, muito calor, pouca água e nenhuma encrenca, eis que chega Franz Ferdinand (que só conhecia por meio da menina que aniversariou há alguns dias), e que teve, alguns meses depois, o segundo melhor show da história. Lógico que, apesar das reclamações ao redor, foi amor/paixão/tesão a primeira vista e lá estava eu, praticamente íntima daqueles escoceses.
Após o desempenho de Alex Kapranos e cia., setenta e oito minutos intermináveis e as luzes se apagam. Quando tocar Wake Up, do tão maravilhoso quanto Arcade Fire, começou a tocar, já não estava conseguindo respirar mais, estava na grade da lateral esquerda. E lá vieram eles, que não precisavam me tocar para o arrepio total.
Assim foi até o final, com algumas decepções, como a falta de Miracle Drug, Bad e All I Want is You e alguns momentos máximos, como estar no lugar mais alto e chorar incontrolavelmente em Where the Streets Have no Name e o momento Zoo TV em Until the End of the World, com direito a tirar a camiseta e rodar no ar.
Tenho certeza que muitos vão achar tudo isso um exagero, coisa chata, mas tenho a mesma certeza de que quem estava lá, naquela noite de 20 de fevereiro de 2006, nunca vai se esquecer daquela Lua inteira, do coro ensurdecedor e das luzes ofuscantes daquele palco.





Contrariando: eu estava lá dia 21. E mas o melhor show do Franz foi dia 23, no Rio. Sabe como é, You Could Have It So Much Better….
Fora isso, concordo com tudo aí. Aquilo não foi um show. Foi um espetáculo do qual dá orgulho ter feito parte. Ainda mais tendo tido que pular a grade pra estar na Hot Area (esforço e tal), saindo não do emprego, mas de Brasília pra ir pra sampa. Valeu muito aquele Beautiful Day de 21 de fevereiro. E as lembranças permanecerão. Even Better Than The Real Thing. =)
Li! Me deu arrepio só de lembrar! Foi lindo, perfeito, maravilhoso! Todas as intermináveis e insuportáveis horas na fila para conseguir um mísero ingresso compensaram cada segundo do show!
E um dos melhores benefícios desse show foi conhecer melhor FF! Se não fosse por esse dia, eu teria perdido simplesmente o melhor show que já fui!