
Em um momento de histeria, resolvi apagar tudo o que tinha para recomeçar – textos, cenas, pessoas. Mas isso muito depois de chiliques, crises existenciais, cenas de ciúmes, conflitos, vergonha de escrever tudo errado. E ainda posso fazer tudo de novo, porque a cura não existe.
A terapia, que poderia ter sido substituída por uma centena de comprimidos de Valium, durou quatro anos. E todos esses anos aprendendo a viver melhor a partir do pior que a vida pode oferecer: ela mesma, nua e crua. E a vida como ela é significa que ainda vou levar muito tapa na cara, mas hoje levo com garbo e elegância: luvas de pelica e sapatos Prada nos pés.
No entanto, nem tudo são flores, e caso sejam, murcham logo: os momentos bons são infinitamente mais rápidos do que aqueles em que você quer se jogar do alto do Edifício Itália.
Hoje aprendi a lidar com tudo isso. Tive que tomar coragem, mas ela me pegou de surpresa (como sempre tem feito) e levou a tomar outra coisa: decisões. E justamente aquelas que não poderiam ser postergadas, mas que podem ser retificadas, porque matar é fácil, já que a TPM ainda está viva e vem me visitar uma vez ao mês.




Sobre isso de flores, inspirado pela primavera uma vez eu escrevi um poema de aniversário para uma amiga que terminava assim:
E se lhe ocorrerem espinhos pelo caminho
Não sofra, haja o que houver
Tenha os sentimentos do mundo como pétalas
Bem-me-quer, mal-me-quer