Estava voltando para a casa e comecei a pensar em várias coisas: os medos cotidianos, preocupações, pessoas, coisas, na verdade, você nem tinha passado por todos estes pensamentos.
Ao chegar em casa, já tarde, a luz do terraço acesa já denunciava que a mãe estaria dormindo. Entrei devagar e vi a porta do nosso quarto fechado. Abri com calma, a luz apagada me levou para um passado nada distante. Ao olhar para a sua cama, arrumada do mesmo jeito para uma possível visita, lembrei de quando tinha que pegar minhas coisas na ponta do pé, para que você não acordasse.
Resolvi ver novamente as nossas últimas fotos juntas, no bairro da Liberdade, tomando aquele suco com gelatina. Você gostou do mais estranho, com leite. Quem sou eu para contestar? E o auge no Mercadão Municipal com o nosso sorvete predileto, que nem na terra do sol existe?
Por isso, não deixe a saudade te prender na cama como ela me prende aos lenços, porque logo estarei ao seu lado para mais alguns bons momentos, recordar todos os nossos vinte e cinco anos juntas e viver todos os demais lentamente, como deve ser quando estamos perto.





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Foto tirada pela
Todas as semanas estavam sendo intensas para ela, apenas porque ela era assim, como todos os seus dias e momentos. Mas aquela havia começado diferente. Não tinha muita esperança, queria algo novo, alguma realização, um sonho que começasse tão rápido quanto a 


