Feeds:
Posts
Comentários

Sabe quando você gosta tanto de alguém que não quer que essa pessoa e todo o sentimento escorram por entre seus dedos? Quando a sensibilidade emocional aflora, ela deixa nossos pensamentos confusos, muitas das palavras ditas, quando elas saem, não seguem uma sequência lógica, causando na pessoa que não entende o que se passa com você, desconforto, incompreensão, impaciência.

Ser sensível é algo mutável, mas é preciso coragem para não se deixar abater e livrar-se logo desse período chato. Acredito que, na maioria das vezes,  somos razão em ao menos metade de tudo o que pensamos, o lado emocional, quando está especialmente sensibilizado, afeta o nosso lado intelectual e nos impede de tomar as decisões corretas.

A melhor forma de lidar com a sensibilidade é guardar para si as vontades de um período em que não podemos saciá-las. Muito fácil falar e bem difícil agir, as atitudes desconexas acabam afastando as pessoas que gostamos, então, nada melhor do que um esforço muitas vezes mútuo para que ninguém saia machucado dessa fase tão péssima do ser humano.

Estava voltando para a casa e comecei a pensar em várias coisas: os medos cotidianos, preocupações, pessoas, coisas, na verdade, você nem tinha passado por todos estes pensamentos.

Ao chegar em casa, já tarde, a luz do terraço acesa já denunciava que a mãe estaria dormindo. Entrei devagar e vi a porta do nosso quarto fechado. Abri com calma, a luz apagada me levou para um passado nada distante. Ao olhar para a sua cama, arrumada do mesmo jeito para uma possível visita, lembrei de quando tinha que pegar minhas coisas na ponta do pé, para que você não acordasse.

Resolvi ver novamente as nossas últimas fotos juntas, no bairro da Liberdade, tomando aquele suco com gelatina. Você gostou do mais estranho, com leite. Quem sou eu para contestar? E o auge no Mercadão Municipal com o nosso sorvete predileto, que nem na terra do sol existe?

Por isso, não deixe a saudade te prender na cama como ela me prende aos lenços, porque logo estarei ao seu lado para mais alguns bons momentos, recordar todos os nossos vinte e cinco anos juntas e viver todos os demais lentamente, como deve ser quando estamos perto.

new

Este mês não é o blog que está fazendo aniversário, mas sim quem está fazendo o blog. Como presente, nada melhor do que um incentivo para aparecer mais por aqui, mesmo que não seja para divagar, ouvir ou mostrar, mas para incentivar, cutucar, desafiar e conquistar. Esta última fica ao seu critério, mas com tantos acontecimentos incríveis ao redor, sou eu mesma que me sinto conquistada pela vontade de reavivar um espaço muito meu e que pode ser seu. Nisso você pode se deparar com o que eu ouço, o que vejo, o que como, o que leio, o que apoio, o que ignoro, o que compartilho, o que eu bebo, o que gosto e algumas vezes com o que eu sinto. Não peço desculpas pelo que já escrevi, mas sim muito respeito pelo que virá.

muro

A sensação era a pior que já sentiu, mesmo depois de tantas perdas e decepções. Os constantes arrepios deram lugar ao formigamento do corpo, como se houvesse uma capa em torno dele. A dor não era física, mas existia de alguma forma: como se uma espiral de lâminas a triturasse por dentro, deixando tudo oco e sem sentido. Sua pele poderia estourar a qualquer momento. O nó na garganta contribuiu para que sua respiração fosse dificultada. O primeiro desejo físico foi a sede, que precisava ser combatida em meio a toda aquela avalanche de sentimentos. Os olhos quase escureceriam, no momento em que o ar voltaria ao poucos, preenchendo o seu interior novamente. Sentiu o pesar nos ombros, já problemáticos há alguns dias. A tensão parecia não ter fim e o motivo para o momento desesperador não era conhecido. Nem por ela. De repente, suas vontades mudariam de foco, o não querer se preocupar com coisas fúteis, assim como apagar certos momentos, como se tudo fosse possível. Tão possível quanto acelerar o tempo. Tão estranho quanto o fato de ter que passar por tudo aquilo. Tão torturante quanto saber que só existiria cura quando essa fase terminasse.

close

Naquele dia quente de inverno, a mente da mulher estava mais paradoxal do que de costume. A calor não era natural, era provocado pelo grande número de pessoas à sua volta e todos os carros tentando acelerar pela avenida larga. Contudo a moça sentia arrepios, seus pensamentos estavam distantes, mesmo sentindo que ele poderia estar por perto. Não sabia mais o que pensar, qual atitude tomar. Qualquer passo em falso acabaria com sua única chance de transformar aquela situação quase entediante, mesmo assim, andava rápido, porque tinha pressa. Parecia fria, quase indiferente. Era preciso que o jogo prosseguisse daquela forma. Chegou finalmente ao Centro de Convenções, passava das oito. Escolheu o café como companhia até ele chegar. Quase todas as outras pessoas estavam lá, várias formas, diferentes histórias. A dela soava como um tiro em sua própria cabeça: a bala ainda não havia atingido o neurônio da memória e o seu corpo reagia como era esperado. Olhou pela terceira vez o relógio no alto, redondo, preciso. Suas mãos suavam, tremiam, tinha que pensar em como disfarçar. Resolveu checar, no painel do saguão, as palestras que assistiriam. Foi interrompida por um abraço longo. Corações acelerados: era o que faltava para descompassar o ritmo frenético das mãos delicadas da moça, que logo foram envolvidas pelas dele, que conduziram a mulher calada até a sala da abertura do evento. Ela retomou sua pose calculista, enquanto ele só pensava em como dizer a ela que sentia o mesmo.

The Next Time Around

One too many goals
That measure out your worth
To seek your weight in gold
Sat by the ivory sill
The further out you look
The further out you’ll be
It’s not enough to set the terms
If nothing ventured, nothing earned
Though odds are set against
In time, I’ll belong to you
It’s how it’s meant to be
Settled on your own
Sweeping dust from stones
With a letter home
Back where the hour’s long
The simplest things invite a thrill
If just by noticing at will
It’s not enough to set the terms
If nothing ventured, nothing earned
It’s how it’s always been
E onde a sorte há de te levar
Saiba, o caminho é o fim, mais que chegar
E queira o dia ser gentil
À tua mão aberta pra quem é
In time, I’ll belong to you
That’s how it’s meant to be
And how it’s always been

future

A revista Serafina, publicada pela Folha de São Paulo mensalmente, tem uma sessão chamada Vintage. Nela, grandes artistas da música, teatro, televisão e cinema são convidados a responder dois questionários à mão (e é assim que ele sai no periódico). As questões são iguais e estão no formato para serem completadas, porém, são datadas em dois momentos das vidas de seus convidados, a diferença varia.

Baseada nisso e em alguns cadernos de perguntas e respostas que preenchíamos quando crianças / adolescentes, eis os meus questionamentos mais comuns e os dois momentos de suas respostas. Quase um eu, por mim mesma, com quinze anos de diferença.

1994

Eu tinha medo… Do mundo acabar em 2000.

Eu comia muito… Tudo o que colocassem na frente.

Eu gostava do filme… De Volta para o Futuro.

Eu gostava de ler… Márcia Kupstas e a coleção Para Gostar de Ler.

Eu me irritava muito com… Meus pais, por proibirem tudo.

Eu dava muita risada com… Programas de rádio humorísticos.

Eu sonhava em… Ser jornalista.

Eu me apaixonava… Toda hora e sempre pela pessoa mais difícil.

Eu queria viajar… De avião.

Eu queria casar com a música… A Day Without Rain, da Enya.

Eu, aos 25 anos, queria estar… Casada, formada e esperando um filho (menino).

Eu achava que a cura existia… No realizar dos sonhos.

2009

Eu tenho medo… De quase tudo, quase sempre.

Eu como muito… O que me dá prazer e faça bem (ou não).

Eu gosto do filme… Que me provoca boas reações.

Eu gosto de ler… Boas indicações.

Eu me irrito muito com… A arrogância alheia.

Eu dou muita risada com… O humor inteligente.

Eu sonho em… Desvendar o desconhecido.

Eu me apaixono… Depois de muita conversa.

Eu quero viajar… Para a Europa.

Eu quero casar com a música… Nenhuma, casar é brega.

Eu, aos 35 anos, quero estar… Estabilizada, mas aprendendo.

Eu acho que a cura existe… Nas pequenas coisas, mas só aquelas que nos fazem bem.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.